Cena de Mar, sem data
Tinta a óleo sobre tela
Cena de Mar, sem data
Da fumaça do navio e em meio às nuvens, que figuras você enxerga?
Que relação elas estabelecem umas com as outras? E com o navio?
São passageiros? Sonhos? Pensamentos? Divindades?
Você imagina que elas acompanham a embarcação ou desaparecem no céu?
Ao final de sua vida, o pintor paranaense Miguel Bakun (1909–1963) começou a introduzir seres em meio às paisagens que pintava. Em algumas de suas obras, essas figuras se camuflam em meio aos elementos da natureza, surgindo da sombra de árvores e arbustos.
Na obra Cena de Mar, porém, observamos com clareza a presença desses seres que, quase como num sonho, aparecem em meio à fumaça e às nuvens. Ainda que obras como essa sejam poucas na carreira de Bakun, elas apresentam um aspecto importante da relação do autor com a natureza e a religiosidade.
Nesses quadros, elementos inanimados como árvores, nuvens e fumaça se transformam, revelando sua essência a nós, seus espectadores. Baseadas nos escritos do artista, essas obras refletem uma concepção animista da natureza, segundo a qual animais, pessoas, plantas e fenômenos naturais possuem alma.
As ondas e o navio foram criados a partir dos mesmos gestos?
Aproxime-se da pintura e observe a textura das ondas em contraste com a da embarcação. Perceba a quantidade de tinta e a variação no tamanho e sentido das pinceladas. Enquanto as ondas rodopiam turbulentas, carregadas de tinta em meio ao mar amarelado, a embarcação surge de pinceladas “lisas”, que ressaltam sua condição metálica e cortante – navio que avança pelo mar.

O projeto Acesse para Perceber é um dispositivo de mediação em arte dirigido para o público espontâneo (visitantes sem agendamento). Os conteúdos ofertados pelo projeto contemplam uma seleção de obras das diferentes coleções de artes visuais, arquitetura e design, cinco dessas obras possuem também a versão do conteúdo em audiodescrição para pessoas cegas e com baixa-visão. O material é disponibilizado por meio de códigos QR que dão acesso às fichas e aos arquivos em áudio. A proposta baseia-se na formação para a autonomia e para a emancipação do sujeito na exploração do espaço expositivo e na sua relação com a arte. O projeto desperta também o interesse junto a outros perfis de visitantes espontâneos do museu, como o público adolescente e jovem, já habituado à customização de serviços e à procura de informações complementares para aqueles assuntos que despertam o suas curiosidades.
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